a vida dá seus rumos. (você ainda espera aquele telefonema). o mundo dá seus giros. (da próxima vez quem sabe). os livros dão seus finais. (o projeto não saiu do papel). os tribunais dão seus veredictos. (a carta fica pra amanhã). os médicos dão seus diagnósticos. (segunda-feira você começa). as histórias dão seus vilões. (você fica horas na frente da TV). alguns dão seus jeitinhos. (você acordou ao meio dia). aquele seu amigo arrumou um emprego. (você nem sequer arrumou a cama). os passos dão suas seqüências. (você nem sabe que dia é hoje). as experiências dão suas respostas. (você quer ser um vegetal). a vida dá seus rumos. (a vida dá em você). o mundo virou uma horta.
15 fevereiro, 2008
salada
13 fevereiro, 2008
era o seu gesto
não gritaria aos quatro ventos minhas mágoas. nem que fossem quinze, três e meio, sete ventos. nem que eu apenas suspirasse, ao invés de gritar. não esperaria que o vento se arrastasse levando minhas frustração na direção que eu penso justa. ele pode simplesmente não se dar por satisfeito e correr na direção contrária, trazendo tudo de volta. não adianta varrer pra de baixo do tapete.
você sabe o momento que custou, que se deu demais, esperou, perdeu o ar, o chão, a fala, a hora. lembra que se encostou num canto qualquer se apoiou em qualquer coisa, se condicionou a outras, esperou respostas..
[...]
a criança já andava. começou com alguns arrastados que de leve pareciam meio toscos, era sua forma de improvisar, soava bem a uma grande tentativa. logo começou a engatinhar, mesmo que carregasse em seu coração [tão inexperiente] a vontade de correr, pular, desfilar, mas teria muito que aprender e ousar. mas mesmo a uns bons tombos conseguiu, mesmo que insegura, dar seus primeiros passos. já tinha experimentado tudo isso.. superado isso tudo. o importante é que agora ela andava. e a criança tinha aprendido, mas talvez porque era realmente necessário, outro motivo ao certo não se sabe.
vou te dizer. era imprescindível mesmo. mas ela não iria faze-lo só. ela tinha um pai. ele tinha uma filha. e era mais que isso que os uniam. existiam um amor que olhos não entendiam.
sabe, a criança, como qualquer outra, tinha em seu pai aquele algo superior. e ele realmente o era. ela andava... com ele ao seu lado e andava.. pegava no cós de sua calça e andava. esse simples gesto fazia a sua diferença, pois quando segurava em seu cós podia ver o que se passava ao seu redor tranquila, pois sabia que ele estava ali. eram muitas as coisas que se passavam, eram várias as cores e tão atrativas, era tanta beleza externa, tantas coisas que se atreviam em seus olhos. mas seria arriscado demais trocar a segurança do cós pra poder tocá-las, experimentá-las, ver o que por dentro era. que gosto teriam? mas ela deveria ficar ali. não correr o risco de perdê-lo de vista. poderia não saber mais como voltar. ela tocaria somente no que seu pai lhe desse. e você talvez não saiba, mas eram nessas coisas que se encontravam a verdadeira beleza. era ali que existia. secretamente.
[quando eu me sinto insegura é porque soltei o cós]
Ah! há muitos que vocês precisam saber
vai um amor novinho aí? em grandes porções..
11 fevereiro, 2008
gavetas e lixeiras
guardar os dias em gavetas pra mantê-los semi-novos. e em cada oportunidade fica o medo a roubar-lhe a cena. sentado enquanto passa um filme a sua frente. e vai se perdendo em larga escala todo o rascunho dos livros que seriam colecionados. em cada lembrança ainda fica a sombra do que poderia, enfim, ser a história. e ela seria contada e repetida e lembrada e relembrada... até sobrar a verdade de saber-lhe cumprida. e tempos passariam... e talvez se esqueceria... ou então se saberia de ter sido mais que o sonho de alguém.
[não se acomode demais nas poltrona!]
06 fevereiro, 2008
aiai
pois tudo que passa fica também aqui
eu colho e trago e levo
admiro, distraída como de praxe
e me escapam nesses meus sorrisos fáceis
aiai
[uns chamariam isso de fuga. eu chamo de conforto]
.
mais uma almofada?
01 fevereiro, 2008
uma história comum, naturalmente
a vida que sonhou não é a que teve. na que teve nunca ousou. nos seus sonhos, porém, era tudo muito diferente, era sobretudo o que mais queria. seus medos e remorsos, as palavras ensaiadas antes de dormir, nunca saíram de lá. o travesseiro sabia os sorrisos que deixava escapar. ah se acontecesse! acordar era o que mais temia. talvez um dia chuvoso lá fora. talvez ninguém ligasse. talvez a sala vazia. talvez ninguém entendesse de novo.. ou pior: ignora-se [ninguém nunca liga pra isso menina]. mas com o tempo aprendeu onde se refugiar. aprendeu onde ela conseguiria ser quem sempre quis, aprendeu onde encontraria quem desejasse a hora que fosse, que poderia ter a estação que quisesse [ser a estação que quisesse] e ter o fim que lhe cabe. e por que não fazer disso seu abrigo permanente? então soube formular seu mundo tão rápido em sua mente, de uma forma que jamais se achegaria a alguém com tal agilidade, precisava preparar bem o lugar. e foi assim que começou a arrumar a mala, e colocou tudo o que tinha, viajaria pra bem longe: pros seus sonhos. iria substituir as pessoas, criar seus próprios diálogos, fazer dos pequenos os grandes detalhes. e foi a atitude mais radical que conseguiu alcançar em toda sua vida. e era feliz assim. embora ninguém soubesse..
[seria essa a mesma menina dos pontos?]
os sonhos não fazem as flores crescerem..
mas faz a gente crescer... ou estancar, isso dependendo da distância que seus pés estão do chão. cada um conhece seu próprio limite. o tempo de pouso e de levantar vôo.. mas querer é mais quinhentos.
se não se sabe que sonhar é também uma sala de espera, não um esconderijo. é preciso saber voar.
vai uns biscoitinhos aí?
30 janeiro, 2008
sem pôr os pontos nos i's
e juntando todos os pontos, não deixou um sequer esquecido, pegou os do ‘i’ e também do ponto final... e estes também levou! pois lhe ensinaram um dia que as coisas era feitas de linhas, não de telefone, nem de crochê, mas aquelas feitas de pontos. o ponto então seria incrivelmente o princípio, a matéria-prima de tudo na terra, no universo, na vida e todo o resto. e só. pois com os pontos se criam, se inventa, se constrói, como tijolos arquitetamente posicionados até se formar seja lá o que for. e então colocou-os, arrumou-os. onde bem quis. porque quis fazer um mundo. diferente tirando. e colocando e transformando. em coisas. qualquer que talvez. nunca existiram.
[com quantos pontos são seus sonhos?]
vai um café aí?
28 janeiro, 2008
acomode-se
se as letras te inspiram; se as frases que você encontra[ou te encontram], você as guarda para o momento que a merecem; se você busca a magia das palavras em cada pedaço que se encaixa; se você as saboreia e busca o seu valor; se você as testa em várias ordens, de todas as formas, pra buscar a que ninguém nunca ousou fazer; se você ao ler uma história que gosta sente inveja e pensa porque não foi você quem a escreveu; se você se faz letra, se faz livro, se faz filme... e de repente quer ser construído, modificado, inventado, folheado... você é um pouco como eu.
mas penso que não me cabe aqui. não sou nem grande, nem pequena. e não me cabe porque não sei com quantas letras eu sou.
a minha história se mistura com as que leio, crio, improviso, que pego em emprestado... e são essas que vão seguir aqui... com pouco ou nada de mim... até onde eu conseguir convence-los.
puxe a sua poltrona e acomode-se, pois me revelo aos poucos.
vai um chá aí?!